Plantio de 106 árvores adultas e distribuição de mudas integram estratégias da gestão para ampliar a cobertura vegetal, melhorar o conforto térmico e fortalecer o planejamento ambiental da capital
Celebrado nesta segunda-feira, 21, o Dia da Árvore reforça a importância da arborização para a qualidade ambiental e o bem-estar nas cidades. Em Aracaju, a Prefeitura tem ampliado o plantio de árvores em diferentes regiões da capital como parte das ações de planejamento ambiental e qualificação dos espaços urbanos. Segundo dados da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), foram plantadas 2.114 árvores em 2025 e outras 2.222 em 2026, fortalecendo a cobertura vegetal da cidade.
O trabalho integra um conjunto de medidas desenvolvidas pela Sema, que tem intensificado o plantio de árvores na capital, com atenção especial às espécies nativas. Além de oferecer sombra e ajudar a amenizar as temperaturas, a arborização contribui para a melhoria da qualidade do ar, favorece a infiltração da água no solo, oferece abrigo e alimento para a fauna e torna os espaços públicos mais agradáveis para a população.
De acordo com o gestor de projetos da Sema, Pedro Menezes, a política municipal de arborização considera o plantio de forma integrada, levando em conta os diferentes impactos ambientais e sociais proporcionados pelas árvores.
“A gente começou a ver a arborização não só no sentido de colocar simplesmente árvores, mas entender que o plantio de uma árvore acaba também interagindo com vários aspectos, sejam ecológicos, ambientais e sociais”, afirmou.
Segundo Pedro, a definição dos locais de plantio considera áreas estratégicas da cidade e fatores como conforto térmico, características urbanas e demandas apresentadas pela população. O aumento das solicitações por plantio de árvores também acompanha a ampliação de projetos de educação e participação ambiental desenvolvidos pela Sema.
Plantio considera características de cada espaço
A escolha das espécies e dos locais de plantio passa por uma avaliação técnica realizada pelas equipes da Sema. Entre os critérios analisados estão o espaçamento disponível, a presença de fiação, os elementos urbanísticos, as condições do solo e outros aspectos ambientais que podem interferir no desenvolvimento da planta.
A prioridade é dada às espécies nativas da Mata Atlântica, considerando sua adaptação ao bioma local. A Sema também vem ampliando o uso de espécies frutíferas em áreas de maior presença e participação da população, incluindo espaços próximos a escolas.
“A nossa equipe vai no espaço, faz toda uma vistoria para saber espaçamento, saber se tem fiação, como também a própria questão ambiental mesmo, qualidade do solo e outros aspectos ambientais”, explica Pedro.
O planejamento também busca evitar a utilização inadequada de espécies exóticas que possam competir com a vegetação local. Para o gestor, a escolha de espécies nativas favorece a adaptação e o desenvolvimento das árvores, além de contribuir para a conservação da biodiversidade característica da região.
No caso das espécies frutíferas, a arborização também pode agregar benefícios relacionados à segurança alimentar e nutricional, permitindo que a população tenha acesso a alimentos produzidos pelas próprias árvores.
Horto amplia destinação das mudas
Outro eixo da política de arborização é o trabalho desenvolvido pelo Horto Municipal de Aracaju, que ampliou a destinação de espécies para ações ambientais na capital. Somente em agosto de 2026, foram destinadas 1.824 mudas, sendo 784 arbóreas e 1.040 medicinais. Do total de espécies arbóreas destinadas no período, 574 foram plantadas diretamente pela Prefeitura.
A distribuição de plantas medicinais também busca aproximar a população das ações ambientais e estimular o cultivo doméstico, inclusive em espaços pequenos. A iniciativa integra projetos como o Sema no Seu Bairro, que leva mudas para diferentes regiões da cidade, além das ações realizadas diretamente no Horto Municipal.
Pedro destaca que a estratégia busca estimular uma relação de corresponsabilidade entre o poder público e a população. “Quando a gente começou a criar esses projetos, uma coisa que a gente sempre tenta instalar é a cultura da corresponsabilidade, no sentido de que nós, como poder público, podemos atuar intensamente, mas ainda assim não seria suficiente para conseguir resolver os problemas”, destacou.
Nas ações realizadas nos bairros, são distribuídas mudas medicinais acompanhadas de orientações sobre o cultivo e os cuidados necessários para o desenvolvimento das plantas. A população também recebe informações sobre os benefícios associados às espécies e sobre os conhecimentos tradicionais relacionados aos usos das plantas medicinais.
Além das ações itinerantes, os moradores podem solicitar mudas diretamente no Horto Municipal. A Prefeitura também ampliou os canais de atendimento, permitindo que as solicitações sejam feitas pelo AjuInteligente.
Arborização como ação permanente
As ações de arborização também estão relacionadas ao Calçada Viva, projeto que incentiva a ampliação da cobertura vegetal e aproxima a população das iniciativas desenvolvidas pela política municipal de arborização.
As medidas buscam não apenas aumentar o número de árvores plantadas, mas também orientar os moradores sobre a importância da vegetação e estimular a participação da população na preservação das espécies.
Para Pedro, essa abordagem amplia o alcance da política ambiental ao associar o plantio à conscientização da população e aos diferentes benefícios proporcionados pela arborização. “Não é sobre ir plantar uma árvore, mas a gente vê o plantar árvore relacionado também com vários aspectos, como eu falei, ambientais, sociais, históricos também. E aí trazer a melhor qualidade de vida de maneira geral para a população”, concluiu.
População também pode contribuir
A população também pode contribuir para a arborização da cidade, mas é importante que o plantio seja realizado de forma planejada. Antes de escolher uma muda, a orientação da Sema é buscar apoio técnico para avaliar as características do local e indicar a espécie mais adequada.
O plantio deve evitar esquinas, entradas de garagens e acessos a imóveis, além de áreas próximas a postes de iluminação e sinalização. Também é importante observar a largura da calçada e a existência de redes elétricas e telefônicas, bueiros e encanamentos, evitando locais onde o crescimento da árvore ou das raízes possa causar conflitos com estruturas urbanas ou dificultar a circulação de pedestres.
Em espaços menores, a recomendação é optar por espécies de porte compatível com a área disponível. Segundo orientação técnica da Sema, árvores de porte médio, com altura inferior a 7 metros, são mais adequadas para locais restritos, enquanto espécies maiores podem ser utilizadas em áreas amplas, como parques e praças.
Para o plantio, a orientação é abrir uma cova de aproximadamente 60 centímetros de largura, comprimento e profundidade. A muda deve ser retirada cuidadosamente do recipiente, preservando as raízes, e colocada na cova com o colo, região de transição entre a raiz e o caule, nivelado com a superfície do solo. Em seguida, a cova deve ser preenchida com terra de qualidade, livre de pedras, entulhos e outros resíduos.
A muda também deve ser amarrada a uma estaca para garantir sustentação durante o crescimento. O cordão deve ser disposto em formato de oito, sem apertar ou ferir o tronco.
Cuidados após o plantio
Após o plantio, a muda precisa de cuidados para se desenvolver adequadamente. A recomendação é realizar a rega três vezes por semana, preferencialmente nos horários mais frescos do dia, antes das 10h ou depois das 18h. Também é importante verificar regularmente se a estaca está bem posicionada e realizar a adubação conforme a orientação técnica.
Em caso de dúvidas, a população pode procurar a Sema para obter informações sobre a espécie mais adequada para cada local e os cuidados necessários para o desenvolvimento da árvore.




