Sergipe conquista Selo ODS Ouro e está entre dois estados brasileiros na categoria máxima
Ao lado de Roraima, estado recebe reconhecimento por ações alinhadas à Agenda 2030; cerimônia será realizada no dia 23, em São Paulo
Sergipe está entre os dois governos estaduais brasileiros que conquistaram o Selo ODS na categoria Ouro em 2026. Ao lado de Roraima, o estado alcançou a categoria máxima da certificação, que reconhece iniciativas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e à Agenda 2030.
A entrega será realizada no próximo dia 23, em São Paulo, durante a Conferência Nacional pela Paz e Sustentabilidade. A primeira-dama e secretária de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania, Érica Mitidieri, representará Sergipe na cerimônia e participará da mesa “Desafios e oportunidades relacionados à paz e Agenda 2030”.
O processo sergipano reúne 18 iniciativas de diferentes áreas da administração estadual, entre assistência social, saúde, educação, políticas para as mulheres, trabalho, inovação, meio ambiente, segurança pública e planejamento.
Na Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic), integram o processo o Prato do Povo, relacionado ao ODS 1; o CMAIS Cidadania, ao ODS 10; e o Novo Lar, ao ODS 11.

“Esse reconhecimento mostra que ninguém faz nada sozinho. Somos um time e, quando as políticas públicas conversam entre si, a gente consegue chegar de verdade a quem está na ponta. Não basta olhar só para a fome, só para a renda ou só para a moradia. É preciso olhar para as pessoas como um todo. O Prato do Povo garante alimentação para quem precisa, o CMAIS fortalece a proteção social e o Novo Lar leva dignidade por meio da moradia. E tudo isso se soma às oportunidades de qualificação, emprego e renda”, afirma Érica.
A certificação ocorre em um período de melhora de indicadores sociais em Sergipe. A insegurança alimentar grave, que chegou a 30% em 2021 e 2022, caiu para 5,5% em 2023 e para 4% em 2024.
Uma das iniciativas incluídas no processo, o Prato do Povo foi criado na atual gestão para ampliar a oferta de refeições gratuitas à população em situação de vulnerabilidade. O programa integra a política estadual de segurança alimentar, ao lado de ações de transferência de renda, aquisição de alimentos e apoio à agricultura familiar.
Em 2025, a experiência sergipana na área foi apresentada no Congresso Latino-Americano de Estudos Sociais sobre Alimentação, na Universidade Autônoma do Chile. Sergipe foi o único estado brasileiro com trabalho incluído na programação científica do encontro.
“O Prato do Povo nasceu olhando para uma necessidade muito concreta: ninguém pode construir um futuro com fome. Mas o nosso trabalho não termina no prato de comida. A gente quer proteger essa família, garantir direitos e criar oportunidades para que ela possa seguir o próprio caminho com autonomia. Para mim, é isso que a Agenda 2030 precisa representar na vida real”, diz Érica.
A relação entre proteção social, redução das desigualdades e geração de oportunidades também aparece nos indicadores econômicos. Em 2025, Sergipe conquistou o 1º lugar nacional na categoria Combate à Desigualdade do Prêmio Nacional de Inclusão Socioeconômica, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
O reconhecimento considerou o desempenho dos estados no Índice Brasileiro de Empregabilidade e Mercado de Trabalho (Ibem Trabalho), elaborado pela FGV Social. Sergipe registrou crescimento de 32,47% no indicador entre o quarto trimestre de 2023 e o quarto trimestre de 2024, o maior resultado entre os estados. O índice considera aspectos como renda do trabalho, formalização e acesso a direitos trabalhistas.
A expansão do mercado formal também aparece nos dados de emprego. Em setembro de 2025, Sergipe registrou, pela primeira vez, mais trabalhadores com carteira assinada do que famílias beneficiárias do Bolsa Família: eram 357.444 empregos formais e aproximadamente 356 mil famílias atendidas pelo programa federal.
Em novembro, o estado contabilizava 360.527 vínculos formais e 351.651 famílias no Bolsa Família. Os números se referem a universos diferentes — trabalhadores, de um lado, e famílias, de outro — e não estabelecem relação direta entre a saída do programa e a entrada no mercado formal, mas ajudam a dimensionar a expansão do emprego ao lado da manutenção da rede de proteção social.
Na saúde, o Opera Sergipe – Cirurgias Bariátricas, relacionado ao ODS 3, também integra o conjunto apresentado pelo estado. O programa já ultrapassou 60 mil cirurgias e reúne 34 tipos de procedimentos. Sergipe alcançou ainda a 1ª posição nacional, proporcionalmente à população, na realização de cirurgias bariátricas por videolaparoscopia e de cirurgias plásticas mamárias femininas não estéticas pelo SUS.
Os resultados na renda também aparecem na redução da desigualdade salarial entre trabalhadores formais. Pelo Índice de Gini calculado a partir da Rais, Sergipe passou da 23ª posição nacional em 2022 para a 11ª em 2024, com redução do índice de 0,455 para 0,348.
Para o governador Fábio Mitidieri, o reconhecimento está relacionado à atuação conjunta das diferentes áreas da administração estadual.
“O Selo ODS Ouro reconhece um trabalho que não está concentrado em uma única área do Governo. Estamos falando de políticas de combate à fome, saúde, educação, habitação, emprego, proteção às mulheres, segurança e meio ambiente. Os indicadores mostram que Sergipe vem avançando, mas o mais importante é o que existe por trás de cada número: são pessoas tendo acesso a uma cirurgia, a uma refeição, à casa própria, ao emprego e a novas oportunidades. Esse resultado é fruto do trabalho dos nossos servidores, das equipes das secretarias e da parceria com os municípios. Nosso desafio é continuar avançando, com responsabilidade, para que o desenvolvimento chegue a todos os sergipanos”, afirma o governador.
Além das ações da Seasic e do Opera Sergipe, o conjunto relacionado ao reconhecimento inclui Sergipe no Mundo, da Educação; CMAIS Mulher e Sergipe Delas, das políticas para as mulheres; Primeiro Emprego e CentroLab Hackathon, na área de trabalho; Cozinha Sustentável; SunTech Innovation; Neutralização de CO₂; Gerenciamento Costeiro de Sergipe; Educação Ambiental; Mediação de Conflitos nas Escolas; parceria institucional entre Seplan e Unit; e o projeto Alma Africana.
Érica levará essa experiência à mesa da conferência a partir da perspectiva dos estados brasileiros. O debate terá como eixo a articulação entre políticas públicas e a relação entre proteção e autonomia: atender necessidades imediatas e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso à saúde, moradia, educação, qualificação, emprego e renda.
A Conferência Nacional pela Paz e Sustentabilidade será realizada das 13h às 18h, na Federação para a Paz Universal (UPF), em Pinheiros, São Paulo. O encontro reunirá representantes do poder público, terceiro setor, empresas e sociedade civil e terá, na programação, a cerimônia de outorga dos selos do ciclo de 2026.




