Oficializado após concurso, o hino traduz em melodia e poesia as raízes da cidade ao lado do brasão de armas e da bandeira municipal
Celebrado nesta sexta-feira, 18, o Dia dos Símbolos Nacionais destaca a importância de emblemas que representam a história, a identidade e a memória de um povo. Em Aracaju, esse patrimônio simbólico ganhou um novo capítulo em 2026, com a oficialização do hino do município, que passou a integrar, ao lado da bandeira e do brasão de armas, o conjunto de símbolos cívicos oficiais da capital sergipana.
Oficializado pela Lei Municipal nº 6.383, de 2 de julho de 2026, após seleção por concurso público realizado pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Cultura (Secult/Aju), o hino traduz em melodia e poesia elementos ligados à história e à identidade da cidade. Além de institucionalizar a obra, a legislação traz a letra e a partitura completas do hino.
A composição, de autoria do tenente do Corpo de Bombeiros Militar de Sergipe (CBM-SE), José Gentil Leite, foi apresentada em solenidade realizada no Teatro Tobias Barreto e descrita pelo autor como “uma declaração de amor muito forte”. O hino celebra a fundação da cidade às margens do Rio Sergipe e aos pés da Colina de Santo Antônio, passeando pela origem do nome Aracaju, suas praias e a tradição dos festejos juninos.
Para o professor e historiador Osvaldo Ferreira Neto, especialista na história de Sergipe e de Aracaju, o hino registra uma capital em constante transformação e valoriza a identidade cultural aracajuana.
“O hino é uma canção oficial e simbólica que representa aquele território, com toda a sua representatividade musical, melódica e cultural. Ele traz música, poesia e letra, e tudo isso ajuda a construir uma identidade cultural. Acho que a gestão municipal, ao valorizar o hino, valoriza também o município, porque é uma representação cívica que diz muito sobre nós”, destaca Osvaldo.
Origem da bandeira e do brasão
Enquanto o hino nasceu na modernidade, o brasão e a bandeira da cidade têm raízes no século passado, concebidos em 1955, após um concurso em celebração aos 100 anos da consolidação de Aracaju como capital de Sergipe.
“Aracaju teve uma bandeira anterior, que durou um período provisório. E é quando é aberto um concurso a nível municipal para celebrar o centenário da capital, em 1955. Nesse campeonato, ganha o grande artista Florival Santos, que traz elementos do estuário do Rio Sergipe e da biodiversidade que o envolve”, pontua o historiador.
De acordo com o professor, Florival Santos traduziu conceitualmente na bandeira uma homenagem a Sergipe pelas faixas verde e amarela. Ele explica que, no lugar onde a bandeira estadual exibe cinco estrelas para representar os rios sergipanos, a bandeira da capital estampa o brasão de armas do município.
“No brasão, você tem os cavalos marinhos, que representam essa biodiversidade, meio ambiente no qual Aracaju está inserida. O lema é labor, que é trabalho, e pax, que é paz. Você tem a engrenagem, que também representa a indústria. Você tem um cata-vento, porque em Aracaju havia salinas, principalmente na região do Porto Dantas e do Coqueiral, e você tem a cruz, que representa a fé cristã, um dogma, uma religião de uma maioria da população”, conclui Osvaldo Ferreira Neto.
Hino oficial
Embora o artigo 6º da Lei Orgânica do Município de Aracaju preveja os hinos como símbolos cívicos oficiais, a capital sergipana possuía apenas composições comemorativas, como as do Centenário e do Sesquicentenário. Essas obras traziam em seus próprios textos referências explícitas às datas festivas para as quais foram criadas.
Por isso, para o procurador do município, Lucas Fialho, a instituição do hino oficial estabelece um novo parâmetro de respeito à história e à cultura de Aracaju. Após a realização do concurso, o projeto de lei para a oficialização foi submetido à apreciação dos vereadores da Câmara Municipal de Aracaju, sendo aprovado e posteriormente sancionado pela gestão municipal.
“A Secretaria da Cultura entendeu por bem realizar um concurso para o estabelecimento do hino oficial do município de Aracaju. Ele difere na história dos outros hinos que foram construídos, inclusive com a participação do Legislativo, porque ele é o hino oficial de Aracaju”, ressalta o procurador.
Fialho pontua ainda que, com o respaldo da nova lei, que incorpora formalmente a letra e a partitura da composição, Aracaju passa a contar com sua tríade cívica completa.
“É um novo marco, é uma inflexão na nossa história cultural, na medida em que a gente agora tem, de fato, os três símbolos representando a história e a cultura de Aracaju: o brasão, a bandeira e o hino”, conclui Lucas Fialho.
Declaração de amor
A trajetória do compositor José Gentil Leite com a música começou aos 13 anos de idade. Após tocar em bandas populares nos anos 80 e 90, integrar a Orquestra Sinfônica e atuar com diversos artistas, ingressou no Corpo de Bombeiros em 2002 sem nunca se afastar dos arranjos e composições.
Sua relação com as homenagens à capital sergipana também é antiga. Há 21 anos, ele venceu o concurso do hino comemorativo dos 150 anos de Aracaju, em 2005. Desde então, guardou o desejo de assinar a obra do hino oficial da cidade.
“Tinha colocado então no meu coração essa meta. Se um dia houver um concurso para o hino oficial de Aracaju, porque até então não tinha, eram hinos comemorativos todos, eu faria esse concurso. Então agora, quando abriu o edital, eu me inscrevi e empenhei todo o meu conhecimento, muito amor, dedicação para esse hino, e consegui obter o resultado de vencedor”, lembra.
Para sintetizar a trajetória do município dentro dos limites exigidos pelo concurso, o músico levou cerca de 20 dias elaborando e refinando a estrutura da canção. “O hino é minimalista, você tem que dizer, em uma frase, muitas coisas”, explica o autor.
O resultado do concurso, segundo Gentil, foi recebido com muita alegria. Para ele, a obra tem um papel pedagógico de motivar novas gerações a conhecerem a história de Aracaju.
“Eu estou ciente de estar contribuindo socialmente, culturalmente, politicamente para a minha cidade, então, é um fato histórico muito importante. O hino tem que ser educativo, tem que ser pedagógico, ele tem que estimular as pessoas a estudarem, a conhecer a sua história. E, conforme o edital, o hino deverá ser executado como forma dele ser reconhecido, ser divulgado e ser mantida essa tradição, porque ele faz parte dos símbolos da cidade”, ressalta.




