André David: Entre o oportunismo e a falta de coleguismo

Muito se tem observado nos últimos dias a questão da autopromoção e da falta de coleguismo adotado pelo delegado André David, pré-candidato ao cargo de Senador da República no processo sucessório deste ano em nosso estado.

E isso tem provocado ruídos profundos, especialmente na área da segurança pública, onde o trabalho é essencialmente coletivo.

Quando André tenta puxar para si, de forma isolada, os méritos por avanços que dependem de uma engrenagem inteira, a percepção pública e interna tende a se dividir entre a estratégia individual e o impacto no grupo.

 

Contudo, senhor André, essa postura cruza a linha da legítima divulgação e entra no campo do oportunismo, pois desconsidera que as políticas de segurança — como investimentos em viaturas, inteligência, armamento e valorização salarial — partem de uma decisão macro do Poder Executivo e do uso de recursos públicos, e não de iniciativas isoladas.

Creio que André David saiba, mais a segurança pública é uma das áreas onde o espírito de corpo e o trabalho em equipe são mais vitais. Por isso, a individualização do sucesso é frequentemente recebida com forte insatisfação nos bastidores.

A redução de homicídios, o combate ao tráfico de drogas e a desarticulação de organizações criminosas são frutos do trabalho diário de policiais civis e militares, peritos, escrivães e de outros delegados que atuam na ponta. Quando o delegado se coloca como o “rosto” exclusivo dessas conquistas, a mensagem implícita que chega à corporação é a de que o esforço dos demais tem menor relevância.

Além disso,  o gesto é  visto como uma violação da ética profissional em nome de um projeto eleitoral. O sentimento de que um colega está utilizando o suor e os riscos enfrentados por toda a categoria como degrau político costuma gerar isolamento e críticas internas severas, minando a coesão necessária para o bom andamento das próprias forças de segurança.

Em setores técnicos e hierarquizados como as polícias, o equilíbrio entre a legítima ambição política e o respeito ao esforço coletivo é crucial. Quando esse limite é rompido, o bônus da visibilidade eleitoral costuma vir acompanhado pelo ônus do desgaste interno e da perda de interlocução com a própria base profissional.

 

A Folha de Sergipe segue acompanhando o dia a dia político do estado

 

 

Home

Deixe uma resposta