Como a CPI do INSS virou palco de uma narrativa eleitoral pré-fabricada

Uma fonte influente do PT no Congresso confidenciou que o súbito surgimento do nome do ex-deputado André Moura na CPMI do INSS semana passada integrou uma estratégia de parlamentares do partido para desgastá-lo em Sergipe às vésperas de 2026.

Segundo a fonte,  o “estrategista” de Rogério Carvalho – senador, líder do PT no Senado e pré-candidato à reeleição – identificou em André o adversário de maior tração nas pesquisas. Após conversa com Paulo Pimenta e Rogério Correia, acionou-se a “fórmula”: fabricar a alcunha “Dono do INSS” e forçar sua convocação à CPMI, apesar da ausência de citação formal em inquéritos da PF, CGU ou Ministério da Justiça.

Como a CPI do INSS virou palco de uma narrativa eleitoral pré-fabricada

A expressão “Dono do INSS” não tem lastro na política sergipana e brasileira  – jamais foi usada para se referir a André Moura quando foi líder do PSC e, depois, do Governo no Congresso. É rótulo de marketing para reconhecimento imediato e associação negativa: a velha tática de repetir a suspeita até que pareça verdade.

O esforço esbarrou nos fatos: o ex-diretor do INSS Alexandre Guimarães não confirmou qualquer vínculo de André com fraudes; disse não o conhecer pessoalmente e ter tratado apenas com a assessoria da Liderança do PSC à época de sua indicação. Sem fato novo, restaram três requerimentos não aprovados pela CPMI, todos de agosto, assinados por deputados do PT, para levá-lo a depor – embora seu nome não conste como investigado, nem tenha sido formalmente citado no inquérito.

Em suma: muito barulho, nenhuma prova!

Há ainda o contrafactual: a deputada Yandra Moura, filha de André, apoiou e assinou desde o início o requerimento de abertura da CPMI. Se houvesse envolvimento do pai, faria sentido impulsionar o colegiado que poderia atingi-lo? O fato objetivo rompe a lógica da insinuação e expõe o caráter eleitoreiro do rótulo.

Do ponto de vista da comunicação política, trata-se do manual clássico: cria-se um rótulo; enquadra-se o adversário numa crise nacional; força-se o tema numa arena institucional; e explora-se o noticiário com suspeitas sem aderência probatória. Inverte-se o ônus da prova: primeiro marca-se o alvo; depois, procura-se um fato que justifique a marca. Sem ele, mantém-se a fumaça – “se está na CPI, algo deve haver”.

Há, portanto, articulação para pautar o nome de André Moura na CPMI, comprovada por requerimentos e pelo rótulo repetido nas redes sociais e em blogs de pessoas ligadas ao PT sergipano e também de Brasília.

Uma outra fonte com bom trânsito entre os assessores de Rogério Carvalho em Sergipe contou a este colunista, pedindo confidencialidade, que a tentativa de associar André Moura ao escândalo do INSS sem provas não deve ser o único ataque direcionado ao ex-deputado pela campanha do senador petista. Até outubro de 2026, muitas pancadas, fake news e narrativas vão rolar.

Até aqui, o caso fala mais de engenharia narrativa do que de verdade factual. O selo “Dono do INSS” não passou no teste dos fatos: ficou nos requerimentos, na retórica e no slogan. Quando o ruído baixa, sobra o essencial – a completa ausência de provas.

Como a CPI do INSS virou palco de uma narrativa eleitoral pré-fabricada

 

 

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