Mulheres do bairro Bugio participaram, na tarde da segunda-feira, 11, de uma roda de conversa voltada ao enfrentamento às violências contra a mulher, promovida pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Aracaju, por intermédio do Núcleo de Prevenção de Violência e Acidentes (Nupeva), integrando a programação do Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher. O bate-papo aconteceu com o público do Pólo do Programa Academia da Cidade (PAC), do Bugio.
O encontro teve como tema “Dialogando sobre Violências contra as Mulheres e a importância da Lei Maria da Penha”, destacando os direitos garantidos pela legislação, que completa 19 anos em 2025, e as formas de identificar e romper ciclos de violência. Foram apresentados materiais educativos, como o violentômetro, para auxiliar na percepção de sinais que muitas vezes passam despercebidos.
De acordo com Lidiane Gonçalves, referência técnica do Nupeva, o objetivo foi esclarecer como a violência se manifesta, quais os serviços disponíveis para atendimento e os canais de denúncia. “Para enfrentar é importante que a sociedade esteja bem informada. Muitas vezes a violência começa de forma sutil e evolui. É fundamental que as mulheres saibam onde buscar apoio e compreendam que existe suporte social, jurídico e de saúde para romper esse ciclo”, destacou.
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/VIVA) mostram que entre 2020 e 2024, Aracaju registrou 2.147 notificações de violência contra as mulheres. Dos quais, 1.343 das ocorrências foram na própria residência da vítima e mais da metade na faixa etária entre 18 e 39 anos. Entre os principais tipos de violência estão a física, a psicológica, a sexual, a patrimonial e a autoprovocada. Além de situações relacionadas negligência e o abandono, tortura e intervenção legal.
Durante a roda de conversa, participantes trocaram experiências, relatos e buscaram esclarecimentos. Para Odete dos Santos, aposentada e integrante da Academia da Cidade, o momento foi enriquecedor. “Muitas coisas nós sabíamos, mas outras aprendemos aqui. Vamos levar esse conhecimento adiante para ajudar outras mulheres também”, afirmou.
A agente de saúde Ângela Dórea ressaltou a importância de ações contínuas. “Foi uma experiência muito significativa. A gente muitas vezes nem percebe o que é uma violência, pessoas ficam caladas e sofrem em silêncio. Tirei dúvidas e pretendo repassar essas informações, principalmente sobre a Lei Maria da Penha, para que mais pessoas reconheçam a violência e denunciem”, disse.
A SMS reforça que quem precisar de ajuda ou está em busca de cortar o ciclo de violência pode buscar os canais de denúncia – Disque 190 (emergência), Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) e Disque 181 (denúncia estadual). Além de serviços como o Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CRAM) e o Centro de Referência Especializada de Assistência Social (Creas).
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