Andava pensando como seria a abertura da coluna, como seria o texto de apresentação, até que passei horas do feriado de Corpus Christi em profundos pensamentos e então iniciou-se a produção. Ao final ficará claro que educação e política são a minha paixão.

Com 10 anos de idade exerci pela primeira vez o direito de cidadania através do voto. Era 2010, o saudoso e sempre presente Marcelo Déda (MD) disputava mais uma eleição para o Governo de Sergipe, lembro da euforia naquele ano, lembro que não entendia muito bem muita coisa, e que já o admirava. Chegou o esperado dia de acompanhar a minha avó, Marinalva Francisca dos Santos, hoje com 74 anos, ao colégio eleitoral do povoado Cabrita, em São Cristóvão, lugar onde nasci e cresci. Dona Marinalva até simpatizava com Déda, mas na urna queria ver o rosto do memorável João Alves Filho e deixou para mim bem claro isso.

Pois bem, chegando no local de votação, já estava arquitetada a minha decisão e ao invés de 25, meus caros leitores, eu apertei 13. Recordo que minha avó me questionou sobre a fisionomia do então candidato, indagando ser ou não ser o “Negão”, e eu com um misto de alegria e nervosismo afirmei que sim, claro que sim. Ao chegarmos em casa tive coragem de contar a verdade, visto que o pior (ou o melhor) já havia passado, e graças a Deus o resultado foram gargalhadas da família, inclusive de Dona Marinalva.
10 anos depois cá estou eu e aquela admiração ainda existe junto com a nostalgia de o tempo não me ter permitido realizar aquele exercício com preceitos já formados. Hoje eu sou Jayne dos Santos Oliveira, estudante de Letras da Universidade Federal de Sergipe (UFS) desde 2018 e gostaria de transparecer rapidamente um pouco do meu perfil enquanto cidadã, aluna, professora e, agora, colunista.
Onde estiverem os trabalhadores, os mais vulneráveis, os excluídos, a juventude promissora, a liberdade em seu mais amplo alcance, a valorização: da cultura, da ciência, da pesquisa, do Sistema Único de Saúde, das Universidades Públicas – aí estarei eu. Onde for possível lutar por mais dignidade, igualdade, acessibilidade, oportunidades e conhecimento, será possível me enxergar. Irei parafrasear MD e dizer, sem medo e tampouco vergonha, mas com orgulho, que quem fala aqui é uma jovem mulher de esquerda, democrata e socialista, que também acredita que a esquerda sempre será o campo dos que defendemos a igualdade e combatemos os privilégios, buscando ampliar os direitos das classes subalternas.

Acredito também, assim como Paulo Freire acreditava e nos deixou uma prova tão viva principalmente nos dias atuais, que é por meio da educação que se tem a verdadeira evolução da sociedade. Posso afirmar que é a educação que me traz aqui e que a autonomia, o ser protagonista de minha história, o pensamento crítico e o senso de cidadania, são herança dela. Sei que posso ir muito mais longe, tem a ver com a esperança que ela proporciona, e sobre esperança também irei citar Freire, dedicando aos meus colegas de profissão que são sinônimo de força, aos alunos que são a nossa razão de existir, de permanecer existindo para que eles, em qualquer lugar que estejam possam estar fazendo a diferença: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo.” E finalizo com Marcelo Déda quando disse: “Deixemos o ódio para quem zombou do amor e deixou de ter fé na fonte absoluta de poder que é o povo. A nós o trabalho, a nós a responsabilidade, a nós a esperança, a nós o futuro.”

Minha gratidão à Folha de Sergipe pelo espaço, pois é uma honra fazer parte de uma equipe tão ética e compromissada com a verdade.
Jayne dos Santos Oliveira, estudante de Letras da Universidade Federal de Sergipe (UFS)




