O que te atrai?

Capas e seus títulos são o primeiro contato que temos com uma obra literária. É como uma roupa, um cartão de visita, é o que nos convida a consumir aquele conteúdo – assumindo que não estejamos familiarizados com quem escreveu. Já comecei a ler livros por ter me encantado pelas capas, como aconteceu com as séries de Bernard Cornwell, assim como também não quis nem chegar perto de alguns pela mesma razão – caso de Crepúsculo com aquela página preta com uma maçã no meio.

Eu me vejo sempre mais atraída pelas capas, é o que me faz abrir o livro e folhear as páginas – e sim, prefiro escolher meus livros de forma física. Contudo, uma obra que me conquistou pelo título foi A vida secreta dos escritores, de Guillaume Musso. Fiquei bastante curiosa com as possíveis dicas que poderiam conter naquele material, achando que obteria informações que me ajudariam no desenvolvimento da minha escrita. E eis que ao começar a ler me deparo com um thriller que apresenta a busca de um jovem escritor por seu ídolo – ele também um escritor – que vive recluso e sem contato com a sociedade… nada que abordasse o processo criativo. Como não sou de abandonar leituras, li até a última página, absorvendo o que estava ali exposto de forma implícita.

A história se passa numa ilha isolada e real. As paisagens são descritas em detalhes, fazendo com que possamos imaginar de forma clara o ambiente – o que é importante para compreender a narrativa. Esse, para mim, é um ponto bastante positivo do livro, por eu gostar de aprender sobre lugares e pessoas reais, fazendo da leitura não só uma distração, mas uma fonte de conteúdo. Daí vem também minha predileção por romances históricos e minha atual fase de contista, em que uso situações verídicas como pano de fundo das minhas histórias.

Uma técnica usada por esse autor foi narrar os passos de personagens distintos, fazendo com que tenhamos de prestar bastante atenção para desenrolar o emaranhado de acontecimentos e entender quem é o mocinho e o vilão – não que isso seja tratado tão preto no branco. Assim como acontece fora das páginas de um livro, todos os personagens possuem nuances que nos fazem duvidar de suas intenções – novamente, algo real aplicado ao mundo literário, – o que nos conecta com o enredo.

Os detalhes da história eu não posso divulgar para não comprometer a sua experiência ao ler o livro, mas, ao finalizar a leitura, cheguei à conclusão de que o título, apesar de ter me enganado, está alinhado com o enredo. Não há nada de secreto na vida dos escritores que não seja encontrado na vida de qualquer outra pessoa: estamos sempre buscando validação – assim com o personagem principal do livro – e reconhecimento. Contudo, o segredo do título não é a vida em si, mas o que fazemos quando encontramos o que procuramos. Esse sim é o grande mistério – e talvez o rascunho de um novo título.


Luara Batalha
@_virandopaginas
Com sangue sergipano, sotaque baiano e mais de 10 livros publicados em sua área, Luara Batalha é mestre em engenharia de estruturas e atua com ensino e pesquisa. Apaixonada pelas letras, é colunista semanal dos sites Fala Barreiras e Folha de Sergipe. Teve seus contos “Invasão de território” publicado na antologia Soteropolitanos, “Momento não esquecido” publicado na antologia Feminismos, “Terapia” selecionado para a antologia Brasil, mostra a tua cara e “Para o porteiro” selecionado para o Prêmio OFF FLIP de Literatura. Atualmente trabalha no seu primeiro romance.

Fonte: Fala Barreiras

2 respostas

  1. “Eu me vejo sempre mais atraída pelas capas.”
    Como já ouvi alunos meus falarem justamente sobre as reações que tinham ao ver as capas dos livros, muitas vezes pedia para que após a leitura eles fizessem suas próprias capas e para minha surpresa alguns mantiveram a mesma capa dizendo entender o pq da escolha da autora para abertura do romance.
    Excelente questionamento. 👏👏👏👏

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