Fábio Mitidieri defende biomas predominantes em Sergipe e potencial energético do estado em reunião sobre investimentos do Fundo Clima

O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, participou nesta quarta-feira, 10, de reunião estratégica sobre ‘O papel do Fundo Clima no financiamento dos estados brasileiros’,  promovida pelo Consórcio Brasil Verde e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro. No encontro, Fábio Mitidieri defendeu investimentos em energias renováveis e em biomas que se destacam no território nordestino, como os manguezais e a caatinga, presentes em Sergipe.

O evento contou com a presença do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, do diretor de Planejamento e Estruturação de Projetos da instituição, Nelson Barbosa, assim como do presidente do Consórcio Brasil Verde, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, e do governador da Paraíba, João Azevêdo. Já o diretor de Política Climática do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Aloisio Lopes, participou de forma online. O encontro marca a primeira reunião entre a alta cúpula da presidência do BNDES e os estados que fazem parte do Consórcio Brasil Verde, para discutir a estratégia do Fundo Clima e a possibilidade de acesso aos recursos pelos estados. O objetivo principal foi apresentar o funcionamento do Fundo Clima e discutir detalhadamente os mecanismos, critérios e procedimentos pelos quais os estados poderão acessar os recursos disponíveis.

Fábio lembrou que o Brasil, por ser um país continental, possui uma grande diversidade de particularidades e o Nordeste também, por isso os investimentos devem considerar essas características. “Sergipe tem 31% do território de caatinga e 51% de manguezais, estamos lutando pelo fundo dos manguezais e da caatinga, porque entendemos que são dois biomas que tem um estoque de carbono verde e carbono azul fantásticos, o que pode muito nos ajudar nessa linha”, destacou.

O governador também ressaltou o potencial energético de Sergipe com a disponibilização de energias renováveis no cenário presente e oportunidades para o futuro para o desenvolvimento sustentável no país e no mundo. “Sergipe é um estado que tem 95% da sua energia limpa. Nós temos energia hidroelétrica, solar, termoelétrica, eólica, também temos as maiores fontes de reserva de gás na América Latina e isso também é relevante para o nosso futuro. Viemos de uma missão na Europa, na qual a gente foi tratar sobre energia sustentável, renovação energética, e nós estamos falando de investimentos na ordem de bilhões de euros, com todos eles preocupados em renovar sua matriz energética. E nós temos a matriz energética mais limpa, barata, melhor localização geográfica e, por isso, o interesse tão grande no Nordeste, porque temos as condições ideias para aproveitarmos o momento e a gente não pode desperdiçar essa energia”, enfatizou.

Recursos e projetos

O BNDES prevê R$ 32,1 bilhões de desembolso até 2026 em operações do Fundo Clima. O diretor de Planejamento e Estruturação de Projetos do BNDES, Nelson Barbosa, detalhou as condições do Fundo Clima. “A gente espera desembolsar, este ano, R$ 5 bilhões, no ano que vem, R$ 12,4 bilhões, e R$ 14,5 bilhões em 2026. No total, R$ 32 bilhões em três anos. Isso muda o tamanho da atividade brasileira de investimento em infraestrutura ambiental. O principal ainda é a área de Energia: solar, eólica e biogás. Transporte vai crescer, principalmente com os projetos de eletrificação de frota. Hoje o grande crescimento será puxado pela energia de um lado e pelo transporte urbano. Mas isso é só um mapeamento, como há recursos, outras áreas podem entrar, como projetos de urbanização”.

Quanto à questão do crescimento de linhas de investimentos na área de Transporte, Fábio Mitidieri sugeriu maiores investimentos no etanol, energia limpa e renovável abundante no Brasil. “Vimos linha de crédito para renovação de frota elétrica, mas temos uma energia limpa, que é o álcool, brasileira, matriz limpa, que às vezes é posta de lado, mas é nossa, é importante para nossa economia e não precisa trazer de outros lugares”, evidenciou o governador de Sergipe.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, concordou com Mitidieri. “Já estamos com alguns projetos que acho que vão transformar muito a indústria do etanol. Somos o maior consumidor de etanol do mundo e o segundo produtor. Noventa por cento do comércio mundial é feito por navios e, no Brasil, noventa e cinco por cento. E a partir de 2027 vai ter multa para motor de navio que não foi descarbonizado. Na primeira etapa, quem tem condições de fazer a transição é o biocombustível. Se pegarmos 3% da frota mundial de navio, temos que dobrar a produção de etanol no Brasil. Então esse é um mercado absolutamente promissor. Tanto o transporte marítimo quanto o aeroviário vão dar outro impulso e o Brasil tem liderança nessa área de etanol”, reiterou Mercadante.

Tratativas

A reunião foi fruto de constantes tratativas entre as equipes e presidências do Consórcio e do BNDES para o fortalecimento da governança climática multinível e implementação de ações concretas de combate às mudanças climáticas.

Para Fábio Mitidieri, o apoio e expertise do BNDES e do governo federal são fundamentais para tirar as ações do papel e que elas se concretizem. “Nós temos alguns desafios, como o combate à degradação ambiental, o desmatamento, a limpeza de barragens, ações que precisam ser conjuntas. E o Fundo Clima vai poder nos ajudar para evitar que a gente não só garanta a sustentabilidade como evitar tragédias, como aconteceu no Rio Grande do Sul. Além do know-how e do crédito barato, a gente precisa do expertise do BNDES para que as ações se concretizem. Quando há essa sinergia dos órgãos, dos bancos, da União com os Estados e municípios, as coisas se concretizam”, pontuou o governador de Sergipe.

Consórcio Brasil Verde 

O Consórcio Brasil Verde é formado por 15 entes federados: Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Sergipe.

 

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