Inquérito investiga Emília por suposta prática de ‘rachadinha’; vereadora também é acusada de nepotismo

A máscara caiu? O castelo ruiu? A imagem de guardiã da moralidade sucumbiu? A matéria poderia iniciar com qualquer um desses questionamentos no título, mas seria um sensacionalismo irresponsável. Nossa seriedade e responsabilidade na abordagem de denúncias não nos permite. E observem, esta é, até aqui, a mais grave denúncia contra a vereadora e candidata a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (PL).

Tudo começa por uma denúncia anônima ao Ministério Público Estadual (MPE). O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) teria analisado a documentação e encaminhado para o Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), da Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP-SE). A assessoria de Comunicação da SSP-SE confirmou a abertura do inquérito a pedido do MPE. A solicitação é expressa: investigar crimes de enriquecimento ilícito e danos ao erário, supostamente cometidos pela vereadora Emília Corrêa no âmbito de seu mandato. A SSP-SE não irá, por enquanto, se pronunciar sobre o andamento do inquérito que está em sigilo.

Por este motivo, a Domingueira não teve acesso ao conteúdo do inquérito, as informações aqui descritas foram obtidas através de uma fonte.

Sabemos que não vai demorar para a pauta da campanha mudar e os adversários de Emília questionarem o discurso dela: como usar o argumento de combate ao “sistemão”, supostamente utilizando-se de práticas ilícitas? Passarão a perguntar.

A denúncia é uma estratégia política pra tentar descredibilizar os argumentos da candidata? Ou as acusações têm procedência? Só as investigações e o tempo dirão. Mas, se o inquérito policial realmente foi instaurado, é possível que exista, ao menos, indícios de uma suposta prática ilegal.

Antes de detalhar o conteúdo da denúncia, cabe destacar que para a fonte que nos trouxe a revelação, a conduta antiética da vereadora se inicia desde a sua primeira campanha em 2012, quando teria supostamente usado a estrutura da Defensoria Pública em beneficio de seu projeto político.

E por que surge a análise da atuação da Defensoria? Além do uso político, existiria uma suposta prática de nepotismo, com a nomeação de sua cunhada Kalina Corrêa em 2011. Segundo a fonte, a Corregedoria não teria instaurado investigação, mas foi recomendada a exoneração. Em 2022, Kalina recebe resíduo de rescisão salarial, o que comprova o vínculo temporário.

No mandato, Emília “estranhamente”, segundo análise da fonte, concentrou quase 50% da verba de pagamento de pessoal em duas assessoras, Sueli Oliveira Dantas e Elani Silva Gois, uma com salário de R$ 9.980,06 e a segunda de R$ 8.143,67. As assessoras, segundo a fonte, teriam padrão de vida notoriamente inferior aos salários. O que apresentaram ao MPE, e automaticamente o Deotap está apurando, é a suposta existência de repasses da conta corrente das assessoras diretamente para a conta de Emília e, posteriormente, saques mensais sequenciados ao recebimento de salário com os valores sendo supostamente repassados para a Kalina Corrêa.

Na denúncia, constaria a informação dos supostos beneficiários, que seriam: a própria vereadora, a cunhada Kalina, o irmão Paulo, e uma funcionária da Defensoria Pública, que teria passado os últimos anos atuando para atender de ‘forma especial’, pessoas indicadas por Emília e sua assessoria.

Uma coisa é certa, se estas denúncias fossem feitas contra qualquer um dos seus adversários, Emília afirmaria, como no caso da licitação do Transporte Público, que é mais uma prova da atuação do “sistemão” ou seria mais uma oportunidade para dizer que a política está cheia de “sepulcros caiados”. Nos próximos dias, a fonte da Domingueira promete trazer novas revelações.

A Domingueira contatou a assessoria de comunicação de Emília, que encaminhou nota à coluna informando que a candidata Emília Corrêa está totalmente tranquila e à disposição de qualquer órgão fiscalizador. Disse ainda, que ela não foi notificada sobre qualquer tipo de investigação e que prestará todos os esclarecimentos necessários, de forma transparente e pública, acreditando na Justiça.

Por Narcizo Machado e colaboração de Diego Rios

Inquérito investiga Emília por suposta prática de ‘rachadinha’; vereadora também é acusada de nepotismo

Deixe uma resposta