Estamos na reta final para as Eleições Municipais 2020 que devem eleger ou reeleger prefeitos e vereadores em todo o estado para gerir as cidades pelos próximos quatro anos. Entre os principais acontecimentos que já marcaram esse período de campanha estão as brigas e até mesmo crimes cometidos supostamente por motivação política.
No dia quatro de outubro, primeiro final de semana de campanha, um homem foi morto a golpes de faca no município de Telha, região do Baixo São Francisco. O crime ocorreu durante um ato político promovido pelo prefeito Flávio Dias (PSD), que atualmente concorre à reeleição no município.
No mesmo final de semana uma outra situação foi registrada no município de Salgado, quando um policial civil agrediu fisicamente duas pessoas e quebrou o celular de um adolescente que filmava as agressões. O policial alegou que tomou tais atitudes porque as pessoas estavam impedindo o fluxo de veículos na avenida.
Já no dia 16 de outubro, em Nossa Senhora das Dores, a polícia local registrou uma tentativa de homicídio na cidade. Segundo informações da própria polícia, um homem efetuou disparos contra outro após discussão por questões políticas em um grupo de Whatsapp.
Nesse último feriado, dia dois de novembro, um morador de Lagarto, ligado ao grupo político do candidato a prefeito, Fábio Reis (MDB) alegou que foi agredido por um homem que estaria ligado ao grupo político opositor.
Nessa terça-feira (3), a candidata a prefeita no município de Cristinápolis, Gislandes Rocha, registrou um boletim de ocorrência após ter sido abordada e ameaçada por quatro homens encapuzados durante atos de campanha.
Na última segunda-feira (2), o candidato à vice-prefeito de Itaporanga D’ajuda, Professor Humberto (PP), se envolveu em um acidente quando um veículo ainda não identificado e em alta velocidade, teria forçado ultrapassagem e provocado o choque do veículo conduzido pelo candidato, com uma anilha de barricada que esteva na rodovia. A polícia investiga o caso.
Para o cientista político, Marcelo Ennes, nesse período os ânimos ficam exaltados dessa maneira, principalmente no interior, não por conta da política em si, mas devido a forma como essa política é concebida.
“Nesses casos, há uma sobreposição das questões políticas, partidária e ideológicas com as pessoas e com os próprios políticos, isso acaba se personificando e torna a disputa mais pessoal do que ideológica. Em razão disso, os ataques se tornam mais acirrados e os ânimos ficam exaltados, porque não se trata mais de debate ou de confronto de ideias, mas sim de confronto de pessoas e do poder de exercer influência nessas localidades”, explicou Marcelo.

O cientista comentou ainda que além dessa personificação da política, outra situação que motiva esses conflitos é o fato de que a vitória ou a derrota de um candidato pode determinar o acesso ou não a determinados privilégios.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) declarou que entre os principais crimes cometidos neste período eleitoral são os de injúria, contra a honra, calúnia, difamação, agressões físicas e tentativas de homicídio.
“Os coordenadores das delegacias do interior estão mobilizados com as esquipes que já estão no interior. Vamos apresentar o plano de ação para as eleições no início da próxima semana. A SSP estará totalmente envolvida em todos os municípios, através das polícias civil e militar, para garantir a segurança no pleito eleitoral e não admite intervenção imparcial por parte de qualquer um dos seus servidores”, declarou a Lucas Rosário, assessor de comunicação da SSP.
Qualquer informação ou denúncia sobre crimes eleitorais podem ser relatadas através do 190 ou 181, com garantia de preservação do sigilo.




